A realidade virtual pode ajudar crianças com necessidades especiais

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Costumamos lembrar da realidade virtual quando falamos de lazer – seu uso em feiras, eventos, games e filmes é cada vez mais difundido. Mas, como toda tecnologia, os dispositivos e aplicativos VR também têm uma enorme função social. Vários jogos e softwares com funções que podem ajudar crianças portadoras de deficiência e/ou com dificuldades de aprendizagem estão sendo desenvolvidos ao redor do mundo. Pensando nisso, a gente preparou essa lista com algumas coisas bem legais que podem ser utilizadas para contribuir com o desenvolvimento do seu pequeno.

Formas e cores

A lista de aplicativos que mesclam o aprendizado de formas e cores com realidade aumentada é grande. Uma das opções é o AR Flashcards – Shapes&Colors. A experiência com esse tipo de interface já mostrou resultados consistentes em diversas pesquisas. Um exemplo é o que ocorre na ALEH, organização que apoia pessoas portadoras de deficiências motoras e cognitivas em Israel. Lá, os aplicativos que trabalham formas, cores e superfícies são utilizados nas sessões de terapia de quem frequenta uma das sedes da instituição. Em alguns casos específicos, projeção mapeada e telas touch screen também são utilizadas. Uma das principais vantagens é que, além de mostrar resultados efetivos no desenvolvimento das crianças e adolescentes, a tecnologia é acessível – basta um iPad, tablet ou smartphone para que a terapia aconteça. O fato de utilizarem dispositivos móveis portáteis também facilita para que o uso terapêutico da realidade virtual seja simples e fácil para quem utiliza cadeira de rodas.

Síndrome de Asperger

A Síndrome de Asperger faz parte das Condições do Espectro Autista (CEAs). Trata-se de uma condição análoga ao autismo, também conhecida como “autismo social”, já que ocasiona, principalmente, dificuldades com interações sociais, concentração, comunicação não-verbal e dificuldade na compreensão de subjetividades, como a ironia ou sarcasmo, por exemplo.

Para ajudar na interação dos aspies com outras pessoas, vários projetos que utilizam a tecnologia VR têm sido desenvolvidos. Um deles é o Individualised Café. Trata-se de um ambiente de realidade virtual que simula uma cafeteria. Nele, adolescentes com idades entre 13 e 19 anos, que estejam em fases de transições sociais (como a entrada no ensino médio ou na faculdade, por exemplo) e tenham síndrome de Asperger podem navegar pelo local, transitar pelo espaço, interagir com objetos e, lógico, outros usuários, e completar objetivos ao cumprir tarefas simples do cotidiano. Muitas vezes, o ambiente está lotado e não há uma mesa vaga. Então, para entrar no café, o jogador precisa, necessariamente, interagir com pessoas que estejam sentadas em outras mesas e pedir para sentar nelas. O ambiente virtual é importante para que os jovens pratiquem tarefas repetitivas cotidianas e descubram as melhores formas, para eles, de estabelecerem uma relação comunicativa com outras pessoas na vida real, o que melhora consideravelmente sua qualidade de vida.

Não podemos esquecer que a tecnologia tem um forte papel social e, muito além do mero entretenimento, pode nos ajudar a construir um mundo melhor e mais inclusivo.